quarta-feira, 22 de outubro de 2008

SEM DONO

É bago a bago que colho os dias
Sob a indiferença do tempo.
Não.
Com toda a minha indiferença perante o tempo.

Eu sei que numa noite de luar
O tempo será três sinfonias
E que, depois, ao acordar,
Terei um arco enorme e colorido de harmonias…
Mas eu sou pior que o deus me livre
E já passei, sem retorno, para um jardim sem dono
Onde faço comigo o que me dá na gana…

Ser livre tem que ser assim:
Os outros são tudo para mim
Mas, depois dos outros, não me importo de ser um safardana
Sem deus, sem pátria, sem telha, sem nada,
Quero ir ao limite de experimentar o sublime sabor do abandono.

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