domingo, 3 de maio de 2009
segunda-feira, 27 de abril de 2009
CARAMIURU EM VIANA
Caramuru é um mito. E "o mito é o nada que é tudo". Dizia Pessoa.
O local do nascimento não põe nem tira coisa alguma: é sempre uma questão técnica, ou de conveniência, ou de simples acaso... Ou não é assim?
Caramuru terá sido um viajante à procura de fêmeas, práticas que não dezabonam o mito do seu recente nascimento enquanto mito.
O padre Costa de Trancoso, em 53 mulheres, conseguiu filharada que quase chegava à três centenas. A injusta justiça condenou-o `a morte e depois a ser desfeito, arrastado por uma mula. Mas havia um rei que era Príncipe Perfeito ( D. João II)que não só suspendeu a pena, mas lhe louvou o contributo para o povoamento daquela despovoada região da Beira Alta.
Lá, nas terras de Trancoso, onde a Mofina Mendes de mestre Gil iria fazer fortuna como feirante, não há estátuas do Padre Costa. Só do Bandarra, que era profeta à maneira da Pitonisa: dava sentenças tão metafóricas que tanto resultavam em tinto ou em branco: era vinho e pronto. Deixemos Trancoso e vamos até à praça da República....
A nossa PRAÇA DA REPÙBLICA tem uma harmonia tão complexa e tão original que, mandaria o bom senso, nunca tocar alí sem extremo, e sempre duvidoso, escrúpulo estético...
Ora, o que me parece ter acontecido, foi meter um solo do Quim Barreiros entre o hino à liberdade do coro da 9ª sinfonia de Bethoven...
Não tenho nada contra o Quim Barreiros (malandro que não considero pimba...) nem contra o Caramuru que despertou amores e fez povoar a região da Bahia... Antes pelo contrário: até gostava de o aplaudir já que não é tempo de o imitar... Mas aquele "poio" na PRAÇA DA REPÙBLICA é abusar do nosso sentido estético e ultrajar o bom senso...
O local do nascimento não põe nem tira coisa alguma: é sempre uma questão técnica, ou de conveniência, ou de simples acaso... Ou não é assim?
Caramuru terá sido um viajante à procura de fêmeas, práticas que não dezabonam o mito do seu recente nascimento enquanto mito.
O padre Costa de Trancoso, em 53 mulheres, conseguiu filharada que quase chegava à três centenas. A injusta justiça condenou-o `a morte e depois a ser desfeito, arrastado por uma mula. Mas havia um rei que era Príncipe Perfeito ( D. João II)que não só suspendeu a pena, mas lhe louvou o contributo para o povoamento daquela despovoada região da Beira Alta.
Lá, nas terras de Trancoso, onde a Mofina Mendes de mestre Gil iria fazer fortuna como feirante, não há estátuas do Padre Costa. Só do Bandarra, que era profeta à maneira da Pitonisa: dava sentenças tão metafóricas que tanto resultavam em tinto ou em branco: era vinho e pronto. Deixemos Trancoso e vamos até à praça da República....
A nossa PRAÇA DA REPÙBLICA tem uma harmonia tão complexa e tão original que, mandaria o bom senso, nunca tocar alí sem extremo, e sempre duvidoso, escrúpulo estético...
Ora, o que me parece ter acontecido, foi meter um solo do Quim Barreiros entre o hino à liberdade do coro da 9ª sinfonia de Bethoven...
Não tenho nada contra o Quim Barreiros (malandro que não considero pimba...) nem contra o Caramuru que despertou amores e fez povoar a região da Bahia... Antes pelo contrário: até gostava de o aplaudir já que não é tempo de o imitar... Mas aquele "poio" na PRAÇA DA REPÙBLICA é abusar do nosso sentido estético e ultrajar o bom senso...
domingo, 18 de janeiro de 2009
SACRISTIA OU ICONOSTÀCIO
Nasci quando era uma sexta-feira.
Quase noite.
E porque já era quase noite minha mãe estava em casa.
Não me lembro do orgasmo do meu pai, nem de mamar, de chorar de usar fraldas e de ter chupeta.
Lembro-me dos caracóis louros e de andar de bicicleta com o meu pai.
E também me lembro de, com ele, jogar à cabra-cega e de andar à bulha.
Eu ganhava sempre porque ficava sempre por cima.
O meu pai ensinava-me a escrever com lápis americanos porque o avô os mandava da América.
Não sei bem se aprendi mas quando me lembro das coisas já sabia escrever.
Depois, quando tinha cinco anos, o meu pai morreu.
Sei que da minha não tenho boas lembranças.
Era tão benta e beata que queria que eu fosse padre.
E batia-me porque eu gostava mais da minha vizinha do que de ser padre…
Quase noite.
E porque já era quase noite minha mãe estava em casa.
Não me lembro do orgasmo do meu pai, nem de mamar, de chorar de usar fraldas e de ter chupeta.
Lembro-me dos caracóis louros e de andar de bicicleta com o meu pai.
E também me lembro de, com ele, jogar à cabra-cega e de andar à bulha.
Eu ganhava sempre porque ficava sempre por cima.
O meu pai ensinava-me a escrever com lápis americanos porque o avô os mandava da América.
Não sei bem se aprendi mas quando me lembro das coisas já sabia escrever.
Depois, quando tinha cinco anos, o meu pai morreu.
Sei que da minha não tenho boas lembranças.
Era tão benta e beata que queria que eu fosse padre.
E batia-me porque eu gostava mais da minha vizinha do que de ser padre…
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
BOCAGE, ALMA SEM MUNDO
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
O MEU LIVRO
O Livro não faz a feira; faz a festa.
O livro é a relação da pessoa consigo e da gente com a História
O livro escreve-se com a vida: alegrias e mágoas, sabedorias e técnicas, imagens, batalhas e números tecem os fios da escrita para fazer o livro.
No livro, as palavras descansam na pureza original:
Não têm cor, nem voz, nem paisagem vegetal,
Nem sequer urbano ruído
O Livro nasce e fica, no silêncio da paz
Mas misteriosamente disponível para uma doce ressurreição
Ou para a turbulência duma explosão.
Então, o livro abre-se
E cada um tira do livro os traços necessários e as linhas convenientes
Para aprender as pessoas e as coisas…
E um mundo eterno reside na página da escrita
E a história do passado nasce terna, menina e turbulenta no tempo da leitura
E tudo deve acontecer na mais contida intimidade, ou na paisagem mais pura
Para que tudo se desprenda e se liberte num Outono sem tempo nem espaço
O livro é a plenitude das memórias na festa dos silêncios.
Quotidianamente….
O livro é a relação da pessoa consigo e da gente com a História
O livro escreve-se com a vida: alegrias e mágoas, sabedorias e técnicas, imagens, batalhas e números tecem os fios da escrita para fazer o livro.
No livro, as palavras descansam na pureza original:
Não têm cor, nem voz, nem paisagem vegetal,
Nem sequer urbano ruídoO Livro nasce e fica, no silêncio da paz
Mas misteriosamente disponível para uma doce ressurreição
Ou para a turbulência duma explosão.
Então, o livro abre-se
E cada um tira do livro os traços necessários e as linhas convenientes
Para aprender as pessoas e as coisas…
E um mundo eterno reside na página da escrita
E a história do passado nasce terna, menina e turbulenta no tempo da leitura
E tudo deve acontecer na mais contida intimidade, ou na paisagem mais pura
Para que tudo se desprenda e se liberte num Outono sem tempo nem espaço
O livro é a plenitude das memórias na festa dos silêncios.
Quotidianamente….
MUDAR ATÉ MORRER
Hoje é um dia de dizer adeus.
É um dia de dizer que amanhã o encontro será outro.
Esta fonte seca agora.
Seca, mesmo quando neva, porque é preciso mudar. E mudar faz bem:
mudar encanta,
fascina,
abre para a aventura.
Na natureza tudo é sempre inicial e novo.
Tudo sempre diferente…
Verdadeiramente só o novo dá prazer.
Nada, mas nada, resiste ao prazer por largo tempo.
Pior que tudo é a rotina: uma repetição mole, pastosa, sucessiva e fedorenta.
Nada é genial quando se repete.
A repetição é tão vulgar quanto insuportável.
Sobretudo quando insiste em repetir-se.
A mudança é tão virtuosa quanto dolorosa.
Mais violenta que a mudança é o fim.
O fim atormenta, às vezes apavora…
Sempre que se aproxima o fim de um século, nascem profetas, crepitam sinais, germinam psicoses de “ Fim do Mundo”.
Para o fim do supercivilizado milénio o fenómeno teve o seu pânico incendiado por terras da Coreia…. Não pegou.
A Coreia não pega nada. Quem pega são os States.
Pegam a crise financeira que vai pôr fim a um sistema.
Verdade que este fim já demorava; mesmo assim dói…
Dói mesmo se o futuro é, garantidamente, melhor e mais bonito!
Acabar é fechar um tempo.
E concluir um ciclo.
É liquidar uma esperança
Acabar é sempre morrer um pedaço1
É um dia de dizer que amanhã o encontro será outro.
Esta fonte seca agora.
Seca, mesmo quando neva, porque é preciso mudar. E mudar faz bem:
mudar encanta,
fascina, abre para a aventura.
Na natureza tudo é sempre inicial e novo.
Tudo sempre diferente…
Verdadeiramente só o novo dá prazer.
Nada, mas nada, resiste ao prazer por largo tempo.
Pior que tudo é a rotina: uma repetição mole, pastosa, sucessiva e fedorenta.
Nada é genial quando se repete.
A repetição é tão vulgar quanto insuportável.
Sobretudo quando insiste em repetir-se.
A mudança é tão virtuosa quanto dolorosa.
Mais violenta que a mudança é o fim.
O fim atormenta, às vezes apavora…
Sempre que se aproxima o fim de um século, nascem profetas, crepitam sinais, germinam psicoses de “ Fim do Mundo”.
Para o fim do supercivilizado milénio o fenómeno teve o seu pânico incendiado por terras da Coreia…. Não pegou.
A Coreia não pega nada. Quem pega são os States.
Pegam a crise financeira que vai pôr fim a um sistema.
Verdade que este fim já demorava; mesmo assim dói…
Dói mesmo se o futuro é, garantidamente, melhor e mais bonito!
Acabar é fechar um tempo.
E concluir um ciclo.
É liquidar uma esperança
Acabar é sempre morrer um pedaço1
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
MINHAS AMIGAS
Voei sobre as guerras até ao corpo das árvores.
As árvores são sempre o corpo confortável porque têm um tronco seguro como nenhum humano.
Nunca vi que árvores escondessem enigmas no seio do tronco.
Sempre as árvores florescem à procura do fruto e sempre me abrigam das intempéries.
Muito mais meigamente e tão dialecticamente como a melhor filosofia.
Até penso que as árvores me conhecem e sabem que gosto delas...
Depois, as árvores são diversas.
Sempre muito tão diversas que parecem encomendadas e feitas à minha semelhança.
O meu diálogo com as árvores é quotidiano.
Com o ficus converso todas as manhãs durante o duche. Sabe dos meus segredos matinais, dos meus projectos para o dia, das minhas frustradas paixões e desejos.
Não deixo crescer o meu ficus para que ele nunca fale.
É o meu bonzai. Tão bonzai ainda mais que a Beatriz.
A esta hora não quero falar com pessoas!
As árvores são sempre o corpo confortável porque têm um tronco seguro como nenhum humano.
Nunca vi que árvores escondessem enigmas no seio do tronco.
Sempre as árvores florescem à procura do fruto e sempre me abrigam das intempéries.
Muito mais meigamente e tão dialecticamente como a melhor filosofia.
Até penso que as árvores me conhecem e sabem que gosto delas...Depois, as árvores são diversas.
Sempre muito tão diversas que parecem encomendadas e feitas à minha semelhança.
O meu diálogo com as árvores é quotidiano.
Com o ficus converso todas as manhãs durante o duche. Sabe dos meus segredos matinais, dos meus projectos para o dia, das minhas frustradas paixões e desejos.
Não deixo crescer o meu ficus para que ele nunca fale.
É o meu bonzai. Tão bonzai ainda mais que a Beatriz.
A esta hora não quero falar com pessoas!
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